Archive for 24 de março de 2014

O MAGISTRAL FERNANDO PESSOA

PRECE

 

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está – (o teu templo) – eis o  teu corpo.

Dá-me alma para te servir e  alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e  na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para  trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e  alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus  pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze  com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

       [...]

Minha vida seja digna da tua  presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma  possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que  eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te  possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver  sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.

Fernando Pessoa em “O Eu Profundo“. 1912(?)

Paulo Francis e Petrobrás

Paulo Francis na década da 90 denunciou inúmeras falcatruas da Petrobrás. Foi linchado juridicamente pelos diretores de então. Os processos que sofreu, com certeza contribuíram para o seu bem estar físico, culminando com um enfarto, que o levou a. morte.  E ele, agora está provado, estava certo. Os vilões continuaram.

A Petrobrás, nos seus 60 anos, deve ter sido vítima de inúmeros golpes. Evidentemente que isto não a impediu, por seu empregados competentes, fazer dela uma bela empresa.

Agora está aí. A grande sujeira aparece aos poucos. Se a classe política, vergonha tivesse, deveria passar isto a limpo. Se passado a limpo, creio que o governo de plantão cairia. Talvez daí, um novo bom começo. Não seria má ideia e o petróleo voltaria a ser nosso, ideia acalentada por Monteiro Lobato.

Pobre Brasil.

JULIO BRANDÃO

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