Neste breve período de descanso, ou seja, uma semana, tive a oportunidade de estar  no Uruguai e visitar a cidade de Punta Del Leste. Belo lugar. Cheguei no final dos feriados da Semana Santa. De 300.000 pessoas, a cidade estava reduzida a 25.000, pois todos já tinham retornado aos seus lares. Dista 380 quilômetros de Porto Alegre. Dizem que lá é o paraíso. Andei por  toda a cidade. Casinhas, casas e casarões sem muros, sem portões, sem proteção elétrica  de cercas. Nossa, que cidade estranha. Edifícios de todos os tipos  com projetos arquitetônicos maravilhosos. Imóveis com bons preços, vez que os argentinos estão, diante da crise, vendendo tudo. Tem policia, porém é a segurança privada que garante o sossego e a segurança do lugar, razão pela qual muitos brasileiros para lá se deslocam. Encontrei um casal. Lá estão há nove meses e afirmaram alí ser o paraíso. Hoteis de luxo. Tudo com certo requinte. Lá as mulheres desfilam suas jóias de ouro é óbvio  da cabeça aos pés. Os homens exibem seus rolex. Um mundo dentro de outro mundo. Parece mesmo a ilha da fantasia, onde podemos sonhar os nossos sonhos do  efêmero e do transitório. Mas. Sim, há um mas. Um outro lado. O lado de lá. O jogo. Os Cassinos.   Aí reside o perigo. Não pelo medo dos “mafiosos” ou uma visão de Vegas lá pelos anos 50 dominada pelo crime.

Não. Em Punta Del Leste não há criminalidade. É um paraíso da segurança. O medo de que falo, é do vício do jogo. A isto eu assisti. Fiquei por um longo tempo no Cassino  do Hotel Conrad, onde também me hospedei.

Ali  ne envolvi, não  com o jogo, mas com o jogador. Fiquei horas e horas observando um desvario absoluto do envolvimento e do descontrole do player. E assim foi possível observar a fragilidade do ser humano, diante da força do vícios. Senti angustia ao ver que em certos momentos, não é possível estar no nosso controle e sim ser controlado.

É o paraíso com certeza. Mas ao lado deste paraíso está o perverso, próximo a todos, rondando a fragilidade do ser humano e o transformando em seu próprio prisioneiro.

A cidade é linda. Mas, as nossas praias são maravilhosas. Merece ser visitada. Lugar para descansar, caminhar e ler bons livros. E até para escrever.