Archive for junho, 2014

O guardador de rebanhos – Fernando Pessoa

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Eu nunca guardei rebanhos,

Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

 

Às vezes quero crer mas não consigo……….

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Às vezes quero crer mas não consigo é tudo uma total insensatez. Estes versos de Vinicius e talvez música de Toquinho é mais que poesia. É fato. É realidade.

É o cotidiano atual que nos aflige diante de tanto descaminho na condução do destino de todos os brasileiros. Mas que nunca precisamos repensar o nosso modelo atual que é uma caricatura de democracia, mas democracia não. é.

O modelo representativo carece de legitimidade, vez que só quem tem poder financeiro, tem facilidade de se eleger ou se reeleger. As benesses que o Estado concede ao Legislador de certa forma é um mensalão. Basta verificarmos as famosas “emendas parlamentares” um verdadeiro descalabro do que não deve ser feito.

Alguém viu os parlamentares fazerem uma grande discussão dos problemas brasileiros? Apresentaram eles algum projeto de futuro para o Brasil e os brasileiros?

E o Brasil de hoje que sedia um dos maiores eventos do Mundo. A parte ser uma festa, está sendo uma festa para as grandes empreiteiras e os grandes aglomerados internacionais que nunca ganharam tanto como agora. Dinheiro que também abastece o cofre de alguns maus brasileiros, vez que somos um dos países mais corruptos do mundo.

Temos uma economia que não cresce. Uma desconfiança de quem gera empregos no setor industrial. Uma crise de infra estrutura, sem que se ofereça qual a alternativa. Um governo que não governa e a cada dia perde sua popularidade das classes mais afetadas pela inflação, com exceção é claro dos beneficiados pelo bolsa família, contingente que não vai aprender a pescar vez que excluído da sociedade pelo próprio Estado que o manobra tal como rebanhos obedientes e ordeiros.

É verdade. É tudo uma total insensatez.

COPA DOS VIPS

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Quando você toma conhecimento pela imprensa, de que os Bancos Estatais, notadamente CEF e BB dispendem mais de 6.000,000,00. Isto. Seis milhões de reais com ingressos da Copa do Mundo, fiquei mais uma vez atônito e perplexo.

Apesar do mensalão e outros escândalos republicanos do PT que nos tem assombrado, verificamos que ninguém mesmo, toma jeito. A cada dia, mesmo com estes fatos públicos, as coisas continuam como sempre.

Povo. Ora…. o povo. Que se danem. E o povo se dana. E o povo não reclama.

Até onde vamos ficar complacentes com estas atitudes. De onde se espera lisura, não há lisura. De onde se espera respeito para com o povo, não há respeito.

Vivemos mesmo na idade média da política. No cartorialismo. No patrimonialismo. Somos reféns de nós mesmo, vez que somos nós que elegemos nossos representantes.

Claro que precisa mudar. Estas atitudes nos reduz perante o mundo dito civilizado. Porque privilegiar alguns, quando a grande massa que deveria participar da grande festa sofre os maiores constrangimentos nas portas dos pontos de venda.

Não sei quantos ingressos se pode comprar com os valores referidos, mas sei, que este privilégio está, sendo pago por nós, vez que, são estatais.

Estamos há tempo engolindo sapos. Lamentável este desgoverno.

Temos de fazer alguma coisa. Devemos e precisamos refazer o nosso  país, isto, se sobrar alguma coisa. Tal qual a FENIX: ressurgir das cinzas.

Só de uma forma isto é possível: o voto. Portanto me assombra a desesperança.

E que se faça a COPA DOS VIPS.

E que Deus nos perdoe.

SUCESSÃO NA EMPRESA: ALGUMAS REFLEXÕES

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Toda empresa tem uma história. Um pequeno negócio. O empreendedor fundador, teve a visão do negócio, aproveitou as oportunidades. Cresceu. Enfrentou crises, e aprendeu a superá-las. Transferir esta história  a seus sucessores é o desafio.

Fazer a empresa, requer habilidades especiais de um empreendedor: trabalho, senso de organização, perspicácia e muito “feeling” negocial. Prosperou, após muito sacrifício e lutas. O sucesso é resultado de anos de lutas, superações, muita organização,crises e  oportunidades. Ao seu redor, com ele, uma família. Filhos e agregados: todos no negócio. Cada uma destas pessoas, diferentes no jeito de pensar, no estilo de viver, criam, por vezes, conflitos familiares.

A história das empresas familiares no Brasil revela que, em sua maior parte, não sobrevivem à segunda geração. Quando não fecham, são vendidas, por serem mal administradas, pela impossibilidade de superação dos conflitos dos sócios. E a história, do pai ou avô, chega ao seu final.

Fazer a empresa sobreviver e perdurar por várias gerações, daí falar em sucessão familiar na empresa.

Processo complexo e trabalhoso que permite à empresa sobreviver e prosperar, sem que a “família” saia do negócio.                                                    A sucessão de que falamos, não é aquela que se opera com a transmissão simples dos bens aos herdeiros ou sucessores, que se opera pela transferência das ações ou quotas de sociedades em face da morte: a sucessão civil.

A sucessão que garante a perenidade da empresa é aquela construída através de um processo  multidisciplinar, envolvendo direito de  família e sucessões, gerenciamento, direito contratual, empresarial, psicologia etc… bem como, todas as  regras necessárias, que, aplicadas e obedecidas com critérios de razoabilidade permitirá aos sócios (já não mais donos) usufruam de uma empresa sólida, com governança corporativa, mantendo ideais e sonhos dos fundadores.

Vários os pressupostos para se iniciar um processo desta natureza, e o primeiro deles é o consenso de todos os envolvidos. Aceitarem a idéia, envolverem-se com ela, entenderem que a situação lhes retira no mais das vezes o poder a  que estão acostumados, seja porque sócios majoritários ou por ocuparem  posição de gerência com grande autonomia.

Evidentemente que o processo, que objetiva garantir perenidade à empresa e ao negócio e, portanto ao patrimônio, não é um processo tão simples como se pode imaginar. Ocorre ser a empresa organizada, com padrões elevados de profissionalização, e mesmo assim ser controlada por uma família em conflito. Isto gera problemas de sobrevivência.

Parece que, preenchidos os primeiros pressupostos, é a hora de começar a intervir nos conflitos familiares e, neste momento, várias pessoas atuam.  Além do advogado, há necessidade da atuação de profissionais de várias áreas (psicólogos, consultores e especialistas em mediação) que atuam no sentido de transformar conflitos familiares em consensos familiares, sem que o  interessado sinta-se preterido ou diminuído em suas condições. Superar divergências, fazer a família adotar novas posturas pessoais e profissionais, é caminho a ser percorrido.

A “latere”, atuam os profissionais do direito, formatando construções jurídicas para a nova fase societária, auxiliando a criação de pessoas jurídicas ( holdings ), alterando contrato social para abrigar estas mudanças e todos as demais.

As empresas que buscaram inserir a governança corporativa no seu modelo, são empresas cujos ativos mais se valorizaram e todos ganharam: o empreendedor, ao ver seu negócio vai continuar, e a família, o orgulho de ter uma empresa continuando a crescer.

Este processo, por si só, não exclui os sócios do gerenciamento direto. Serão gerentes  os sócios, no dizer de Peter Drucker,  demonstrem “ser tão aptos quanto qualquer funcionário não pertencente a ela e se esforcem no minimo tanto quanto este”  ( Administrando em Tempos de Mudança  pág.33). Podem administrar, desde que hábeis e capazes.

A empresa que administra a sucessão, certamente será empresa de sucesso. Mas, para este objetivo, a família “ deve servir a empresa” e não “servir-se dela” como diz o mesmo Peter Drucker.

Finalizo com Peter Drucker, o pai da administração moderna, “a palavra mais importante em empresas administradas pela família, não é família. Ela tem de ser empresa.”

 

Julio Cesar Brandão

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