Este artigo segundo da Lei Maria da Penha é uma Carta de Princípios ao afirmar que:   “Toda mulher,  independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura,  nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à  pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver  sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral,  intelectual e social.”

Esta recente pesquisa, de toda divulgada pelos meios de comunicação, em que se afere que as mulheres, pela sensualidade no modo de vestir ou comportar-se, é que dão azo a que sejam estupradas, merece algumas considerações.

A medida que a pesquisa, dado estatístico que é, pela sua história e tradição de conseguir aferir o pensamento do povo, denota que em certos aspectos ainda não saímos do estado de barbárie moral.

É um dos conflitos da sociedade dita civilizada, onde o ser humano, em certo momentos deixa de ter valia como ser e passa a ser coisa. Não é um fenômeno nacional exclusivo. Basta ver o que acontece na Índia e em boa parte dos países africanos.

Hanna Arendt fala em suas obras, da banalização do mal. Isto reafirma com certeza que nós seres humanos estamos ainda distantes dos melhores ideais de humanidade. As nossa utopias, que mobilizam nossas procuras e que nos fazem encaminhar e caminhar pela vida,  nestes momentos, nos fazem refletir de que ainda há uma longa viagem a percorrer.

Apesar de saber destes defeitos do homem,  a constatação feita pela pesquisa, acaba nos provocando um certo desencanto ao ver que alguns não conseguem ver o outro a sua imagem e semelhança.

Lí certa feita que todo homem, traz dentro de si um pouco de Hitler, e que a vida consiste fazer prevalecer o outro lado que nos dá a condição de humano e assim poder tratar a mulher com humanidade.

Assim, a difícil arte de viver a vida.