energia_eletrica_19Até o lamentável acidente envolvendo aeronaves, ocorrido em setembro de 2006, acreditávamos que, apesar dos atrasos eventuais dos voos, existia segurança no tráfego aéreo.

O fato entretanto trouxe a tona um problema seríssimo. Os controladores passam a trabalhar de outra forma, com razão ou sem razão e geram o fenômeno do apagão aéreo. O Brasil foi desnudado e todos nós nos certificamos da fragilidade que é voar no espaço aéreo de nosso país.

Pensei muito neste assunto com a gravidade que o tema merece. Refleti muito para tentar saber o porquê da crise e quais instrumentos seriam suficientes para debela-la.
Creio mesmo que é possível, ainda que muito tempo tenha decorrido, fazer um paralelismo do apagão aéreo com o apagão moral de grande parte dos políticos brasileiros, que invertendo a ordem das coisas colocam o seu interesse pessoal acima do interesse público. Se fizermos uma leitura de nossa história republicana, veremos que em poucos momentos tivemos pessoas grandiosas e virtuosas na liderança deste povo brasileiro.

Vivemos a carência de modelos, de paradigmas que possam dar um norte a cidadania centrado e fundamentado na moralidade pública, na ilibidada conduta pessoal. Os governos, nas três esferas, em sua maioria, constituem um grande balcão de negócios longe, muito longe de interesse coletivo.

Além de uma classe política corroída pela ausência da moralidade, vemos outras esferas de poder serem desestabilizadas e as instituições públicas sendo “colombinizadas” o que implica a corrosão do estado. Isto tudo constitui o grande apagão moral que permeia o estado brasileiro e que nos ameaça como nação.

É necessário, que aqueles que tem consciência de sua responsabilidade não fiquem calados. Ficar calado, diante de tanta canalhice social é consentir com essas práticas imorais, é compactuar com o triunfo da mediocridade. Jose Ingenieros em sua obra “O Homem Medíocre” fala que a mediocridade é moralmente perigosa e seu conjunto é nocivo em certos momentos da história: quando reina o clima da mediocridade.

Vivemos tempos sombrios. Um verdadeiro apagão moral dos que nos tem liderados. Falta ao homem público brasileiro o senso de grandeza moral, o senso de seu papel como promovedor da cidadania.

Temos possibilidade de lutar contra este estado de coisa. A sociedade civil precisa se organizar para fazer o resgate da importância da classe política.

Extirpar os nossos canceres é preciso. Será uma longa jornada. Permanecer em silencio não se pode mais.

A prática da política, quando voltada para o interesse público na promoção do bem estar social da coletividade, é essencial para o desenvolvimento de um estado e o fortalecimento de sua nação. Cultivar as virtudes pessoais, hoje e sempre, é um processo educativo. Olhar os bons exemplos do passado é um estímulo para construir o futuro. O passado que tem se ser esquecido é aquele que nos envergonha. Cultivar dia a dia as nossas virtudes é o primeiro passo para vencermos as nossas batalhas e iluminar moralmente o Estado Brasileiro para um dia certamente acabarmos com o apagão moral.

 

 

Júlio Cesar brandão

Advogado.